A Festa Acabou
Curadoria: Sofia Borges e Vasco Coelho
Projecto de Exposição no Bairro da Quinta da Vitória
Realizado com a Colaboração e Participação dos moradores do Bairro da Quinta da Vitória
Na mesma medida que o bairro se auto – constrói, nasce uma barreira invisível que o delimita da cidade. A divisão, a ruptura e a exclusão deram lugar a uma série de representações abstractas.
A deslocação da Arte para o Espaço Público, o encontro com o Outro é o ponto de partida para a produção de um discurso. Um campo de questionamento procurando novos significados sobre “a política social e a experiência artística”. (Catherine David)
Neste projecto privilegiamos a imaginação e as narrativas dos próprios moradores. Naturalmente, as representações que daí emergirem serão resultado tanto de factos como de sensações, subtis e complexas.
Com a desintegração do Bairro da Quinta da Vitória, o que ficará, será vago distinto na memória de cada morador. Algo que já se encontra nos que, por necessidade, vontade própria ou obrigação, continuaram a sua viagem. Neste sentido também para os que ficam, como nos testemunhou um morador: “A festa já acabou.”
“A Quinta da Vitória começou a ser ocupada no final dos anos 1960 por famílias de origem portuguesa, sobretudo do norte do país, que construíram casas de madeira. Mais tarde, depois do 25 de Abril, chegaram famílias de vários países africanos. Além de famílias angolanas, são-tomenses, cabo-verdianas, guineenses, vieram também famílias de Moçambique, de origem indiana. As famílias que chegaram destes países compraram casas às famílias portuguesas ou ocuparam partes do terreno da Quinta da Vitória, e construíram também as suas casas.
No início dos anos 1990 começou o processo de realojamento no âmbito do PER. Depois de um recenseamento da população, as famílias ficaram à espera do realojamento. Algumas foram realojadas em 1998 na altura da Expo e outras foram realojadas em 2002, para o bairro social Dr. Alfredo Bensaúde. As famílias que ficaram por realojar continuaram com a esperança baseada nas promessas políticas e nos boatos que passavam de boca em boca sobre o realojamento.”
(Rita d’Ávila Cachado Antropóloga, bolseira de doutoramento da FCT/ISCTE)
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