Exposição
Urbanismos Pessoais
Mónica de Miranda
“De Toxteth até Brick Lane, de Sarcelles até Lisboa, imigrantes criarão os seus próprios mundos urbanos, seus urbanismos pessoais.”
O projecto de artes plásticas de Mónica de Miranda expõe a partir das suas biografias de múltiplas heranças culturais, a questão dos outros urbanismos, os urbanismos em construção. Territórios e localizações geográficas em mudança que criam redefinições constantes de cultura e identidade.
«A minha obra artística não se limita a ocupar o espaço dos objectos artísticos, mas define-se num espaço que reflecte sobre mim e estabelece uma linguagem que tem por intenção criar um diálogo crítico com a realidade. Define-se num lugar de circuitos e trânsitos diversos entre espaços, tempos e sistemas culturais, resultando daí a exploração de temas, como o transnacionalismo, os novos fluxos migratórios, a globalização cultural e o pós-colonialismo. É uma reflexão sobre as questões que as migrações colocam, nomeadamente a criação de identidades transculturais, de novos espaços sociais, de novos territórios de geografias em transformação e da ruptura de fronteiras.
Procuro criar espaço para que os fluxos migratórios e transnacionais sejam vistos como uma realidade diversificada e multi-facetada, como uma plataforma criativa de oportunidades e um lugar de trânsitos para mudanças pessoais, culturais e sociais.
O trabalho para a exposição underconstruction, será constituído por fotografias e vídeos e instalações que questionam a dinâmica dos espaços urbanos em relação a conceitos de identidade e cultura. Os trabalhos serão retratos de dimensões emotivas que o espaço urbano toma com a sua dimensão de representar estados de estar, ser e pertencer.
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Eu era produtor de mim próprio
“Era produtor de mim próprio”
é um vídeo realizado no âmbito d`A Festa Acabou, projecto que decorre no Bairro da Quinta da Vitória desde 2006 com o objectivo de recolher informação sobre a história e a actualidade do bairro para em conjunto com os moradores definirmos uma cartografia do bairro.
O Bairro da Quinta da Vitória não consta nos principais mapas da cidade. Tem cerca da 40 anos e actualmente está a ser demolido. Quando iniciamos este projecto já muitos moradores tinham deixado o bairro, actualmente vivem no bairro, os que estão ao abrigo do PER e aguardam o realojamento.
Era produtor de mim próprio é um documento sobre a história do bairro desde a construção das primeiras casas, passando pelos momentos mais significativos, como a instalação da electricidade e da água no bairro, o impacto das demolições e a expectativa do realojamento face aos hábitos e costumes vividos no bairro, em particular, as relações afectivas e a relação com a terra através do cultivo de hortas que servem a sobrevivência dos moradores.
Ficha Técnica: “Eu era produtor de mim próprio” (2008);
aprox.13 minutos; realização de Sofia Borges; montagem de Rui Viana e Sofia Borges; mistura de som
de Rui Viana; produção
d`A Festa Acabou; colaboração
de Vasco Coelho,
Marta Carvalho, António Gadanho e dos moradores do Bairro da Quinta da Vitória.

José Carlos Teixeira
Desvio e Consequência: para uma nova (r)evolução
DESVIO e CONSEQUÊNCIA, para uma nova (r)evolução, é uma instalação vídeo que funciona como o remake lusitano de IT’S OK (united), #1#2#3, three steps to a (r)evolution. Se o anterior projecto, finalizado em 2006, apresentava uma abordagem crítica ao sistema cultural e educativo ocidental (com predominância no exemplo norte-americano) – e onde conceitos de assertividade, segurança, poder e controlo eram desconstruídos através de um novo conteúdo aplicado à letra do hino – a versão portuguesa parte basicamente nas mesmas premissas.
O vídeo consiste em duas projecções simultâneas, lado a lado, registando o processo de co-criação de novas frases para a música da nação: os protagonistas são luso-africanos e o cenário principal é o bairro da Cova da Moura, em Lisboa. Durante vinte e dois minutos, num registo ao mesmo tempo artístico e documental, desvelam-se e adensam-se temas relacionados com a identidade, a alteridade, o deslocamento, a diferença cultural, o sentimento de exílio e/ou de pertença. No novo hino transnacional, a letra torna visível o que cada um sente e pensa sobre a cultura de acolhimento. Nas palavras de João Pinharanda, ”aproximamo-nos de uma versão de A Portuguesa a partir da interpretação, entendimento, (dis)torção sobre ela exercida por membros das comunidades de imigrantes africanos que ensaiam cantá-la introduzindo nas palavras e ritmos, significados literais e emotivos, razões de outras identidades e temporalidades”.
Constituindo-se como espaço de entretenimento, jogo e ironia, DESVIO e CONSEQUÊNCIA, para uma nova (r)evolução alcança sobretudo uma dimensão política e sócio-cultural, comprometida na construção de um discurso colectivo por todos aqueles que ali são retratados.
Parte integrante da instalação, os extractos de textos de Antero de Quental, Fernando Pessoa e José Gil recentram intelectualmente o vídeo, e contextualizam ideias de Portugalidade que se repetem e permanecem.
Artur Moreira
that´s one small step for men, one giant leap for mankind



